terça-feira, 19 de maio de 2015
# 653
David quietly tells me, ‘You know, I’ve had so much sex and drugs that I can’t believe I’m still alive,’ and I loudly tell him, ‘You know, I’ve had SO LITTLE sex and drugs that I can’t believe I’m still alive.
Não que seja elemento central na autobiografia mas penso que das tensões mais interessantes na vida de Morrissey é a que põe em confronto a lascívia e a santidade. Quem não sabe que o medo ou a insegurança a que leva o desejo, numa cabeça inexperiente, pode fazê-la refugiar-se no manto protector da castidade?
Em todos os sentidos que quisermos, I entered nothing and nothing entered me.
Ringleader of the Tormentors, INDEED.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
sexta-feira, 10 de abril de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
terça-feira, 17 de março de 2015
segunda-feira, 16 de março de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
# 634
«Os empregados dos restaurantes das praias de Goa habituaram-se a não enxotar os cães vadios que rondam entre as mesas á procura de comida e mimos. Não têm outro remédio: os turistas zangam-se quando vêem maltratar animais. Esta convivência é frágil, bem entendido. Acaba quando acaba a estação. Muitas vezes acaba quando acaba o dia. Mas enquanto dura, cães e pessoas vivem razoavelmente bem uns com os outros.
Assim estava a Marineta. Demos-lhe este nome um bocado ridículo eu e a Patrícia, minha mulher, porque a cadela é um bicho ponta acima, ponta abaixo, cheia de ossos fora de sítio, doce e simpática, como se não soubesse que é vadia. Além disso estava tão grávida que parecia a carreira regular do Margão.
No dia 24 de Dezembro, já o sol se ía pôr no mar, a Marineta começou a andar por entre as mesas do restaurante onde estávamos de maneira desatinada e urgente. Percebemos que procurava sítio onde parir. É cadela sem experiência e tino, não tinha preparado nada convenientemente. Acabou por se refugiar nuns arbustos onde pensou que estava ao abrigo do sol, da noite e dos corvos. Daí a bocado ouvimo-la ganir. Fomos ver e tinha nascido um cachorro.
E foi então que aconteceu outra vez o suave milagre a que já assisti frequentemente, sempre incrédulo como se estivesse na ombreira de outro mundo: a cadela escolheu a Patrícia. Veio chamá-la à mesa com latidos breves e acertados. Levou-a ao seu refúgio precário. E a Patrícia pegou no cachorro. Fomos os três, eu, ela, a Marineta, para um sítio melhor, mais abrigado, desta vez escolhido por nós. E aí, de cada vez que sentia virem as contracções, a Marineta saia do canto onde estava, vinha chamar a Patrícia e esta assistia ao parto, massajando-lhe o ventre. Nasceram assim cinco cachorros na noite de Natal que começava.
E terminou para nós mais uma vez a aparente simplicidade do amor.
Como acontece a tantas e tantas pessoas que sabem o que significam os animais, percebemos logo que a Marineta e nós tínhamos arranjado uma situação muito difícil. Não podemos levar a cadela e os cachorros para a casa onde vivemos agora. Não é esse género de casa. Por outro lado deixar a cadela e os cinco cachorros no restaurante seria condená-los a uma morte certa.
A minha senhora dos bichos, de alma devastada, decidiu o que era preciso fazer e pediu-me que a ajudasse. Fui despejar no lixo um balde grande de plástico enquanto o jantar da consoada começava ali ao lado, á luz de uma fogueira feliz. Nesse balde, a Patrícia afogou quatro dos cinco cachorros, quatro dos cinco inocentes, para que um possa sobreviver. Foi esse o acordo prévio a que chegámos com os empregados do restaurante.
A Marineta e o seu cachorro primogénito amanheceram no dia de natal de 2008. Vimo-la andar no meio das mesas parecendo procurar os filhos que perdeu, pensa ela que nos arbustos e na noite.
Chamámos Menino ao cachorro que sobreviveu, mas havemos de pensar num nome talvez mais apropriado quando a tristeza e o peso da noite se nos forem do coração.»
Subscrever:
Mensagens (Atom)













