segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
# 634
«Os empregados dos restaurantes das praias de Goa habituaram-se a não enxotar os cães vadios que rondam entre as mesas á procura de comida e mimos. Não têm outro remédio: os turistas zangam-se quando vêem maltratar animais. Esta convivência é frágil, bem entendido. Acaba quando acaba a estação. Muitas vezes acaba quando acaba o dia. Mas enquanto dura, cães e pessoas vivem razoavelmente bem uns com os outros.
Assim estava a Marineta. Demos-lhe este nome um bocado ridículo eu e a Patrícia, minha mulher, porque a cadela é um bicho ponta acima, ponta abaixo, cheia de ossos fora de sítio, doce e simpática, como se não soubesse que é vadia. Além disso estava tão grávida que parecia a carreira regular do Margão.
No dia 24 de Dezembro, já o sol se ía pôr no mar, a Marineta começou a andar por entre as mesas do restaurante onde estávamos de maneira desatinada e urgente. Percebemos que procurava sítio onde parir. É cadela sem experiência e tino, não tinha preparado nada convenientemente. Acabou por se refugiar nuns arbustos onde pensou que estava ao abrigo do sol, da noite e dos corvos. Daí a bocado ouvimo-la ganir. Fomos ver e tinha nascido um cachorro.
E foi então que aconteceu outra vez o suave milagre a que já assisti frequentemente, sempre incrédulo como se estivesse na ombreira de outro mundo: a cadela escolheu a Patrícia. Veio chamá-la à mesa com latidos breves e acertados. Levou-a ao seu refúgio precário. E a Patrícia pegou no cachorro. Fomos os três, eu, ela, a Marineta, para um sítio melhor, mais abrigado, desta vez escolhido por nós. E aí, de cada vez que sentia virem as contracções, a Marineta saia do canto onde estava, vinha chamar a Patrícia e esta assistia ao parto, massajando-lhe o ventre. Nasceram assim cinco cachorros na noite de Natal que começava.
E terminou para nós mais uma vez a aparente simplicidade do amor.
Como acontece a tantas e tantas pessoas que sabem o que significam os animais, percebemos logo que a Marineta e nós tínhamos arranjado uma situação muito difícil. Não podemos levar a cadela e os cachorros para a casa onde vivemos agora. Não é esse género de casa. Por outro lado deixar a cadela e os cinco cachorros no restaurante seria condená-los a uma morte certa.
A minha senhora dos bichos, de alma devastada, decidiu o que era preciso fazer e pediu-me que a ajudasse. Fui despejar no lixo um balde grande de plástico enquanto o jantar da consoada começava ali ao lado, á luz de uma fogueira feliz. Nesse balde, a Patrícia afogou quatro dos cinco cachorros, quatro dos cinco inocentes, para que um possa sobreviver. Foi esse o acordo prévio a que chegámos com os empregados do restaurante.
A Marineta e o seu cachorro primogénito amanheceram no dia de natal de 2008. Vimo-la andar no meio das mesas parecendo procurar os filhos que perdeu, pensa ela que nos arbustos e na noite.
Chamámos Menino ao cachorro que sobreviveu, mas havemos de pensar num nome talvez mais apropriado quando a tristeza e o peso da noite se nos forem do coração.»
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
terça-feira, 7 de outubro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
# 628
"Today I said goodbye to my dog "Cash", my sidekick, I loved this dog with all my heart and I know he is in a better place, Rest in peace boy." - DT
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
# 620
Elton John continua a ser na música a grande descoberta que fiz este ano. Tenho edições remasterizadas da sua obra que trazem uma brochura que identifica como sendo o período clássico do músico aquele definido pelo primeiro álbum, Empty Sky (1969), e que se estende até Captain Fantastic and the Dirt Cowboy (1975). Dos cerca de dez álbuns que Elton John registrou em meia dúzia de anos, eu tenho seis, talvez os melhores seis, e são seis discos fantásticos. Estou praticamente servido no que a Elton John diz respeito, o que é dizer muito, se pensar que tenho tantos álbuns dele como dos Led Zeppelin ou de David Bowie. Este período clássico do músico britânico é para ombrear com qualquer escritor de canções de qualquer era. E como se uma prova bastasse escolho um tema do CD que arranjei mais recentemente, Tumbleweed Connection (1970), e junto ainda as palavras de Sting (que se ilumina ao interpretá-lo) numa versão tardia, em dueto, de Come Down in Time. Mas primeiro a versão original.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
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