Onde há vermelho não existe esperança. Nenhum espaço para recuperar uma cabeça doente. A colorização para fora traduz o que trazemos dentro, e o cinema é também a arte de tornar visível o que é interno. Simon Killer, hoje a amanhã no IndieLisboa.
domingo, 21 de abril de 2013
# 173
Onde há vermelho não existe esperança. Nenhum espaço para recuperar uma cabeça doente. A colorização para fora traduz o que trazemos dentro, e o cinema é também a arte de tornar visível o que é interno. Simon Killer, hoje a amanhã no IndieLisboa.
sábado, 20 de abril de 2013
# 171
Um bom filme que originou uma boa entrevista e que espero venha a dar duas boas apresentações. Até mais ver aprendi a lição (ou alguma outra coisa).
sexta-feira, 19 de abril de 2013
# 170
Quis saber se a expressão "fuck the pain away" repetida várias vezes na última cena de Peaches Does Herself, quando Peaches abandona o teatro montada numa bicicleta, era um incitamento a ter(mos) sexo para fazer baixar a sensação de dor ou um grito que visa o exorcizar dessa mesma dor. Respondeu que funcionava das duas maneiras. Talvez fosse então uma pergunta retórica. Perguntas retóricas são como pólvora seca. Dali ninguém saiu nem mais nem menos magoado.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
# 169
Em Avanti Popolo, que integra a secção Cinema Emergente do IndieLisboa, até a cadelita Baleia é de esquerda. A apatia da bicha quando lhe lançam a bola para brincar, parece sofrer do contágio que mantém parada, inalterada, a casa onde vivem um idoso, interpretado pelo cineasta brasileiro Carlos Reichenbach (falecido recentemente), e o filho de 40 e picos anos que para lá se muda na sequência de divórcio. É um cenário algo desolador, que respira tédio, filmado sempre com o mesmo enquadramento para dar conta da sua natureza morta. Uma catacumba cheia de memórias do período da ditadura no Brasil, onde se guardam também os filmes em super 8 do outro irmão da família, desaparecido em 1974 em circunstâncias pouco explicadas. A casa morreu com ele e quem lá vive desloca-se de braços tombados. É preciso descascar muitas camadas de tédio até se perceber o humor que resiste em tão lacónico projecto. Aqui os amanhãs não cantam mais, excepto nos vinis de antigamente nem sempre no melhor estado de conservação. A paciência para hinos de países comunistas acabou-se, assim como disponibilidade para aceitar dogmas ou regras de qualquer índole. O realizador Michael Wahrmann faz uma bela voz de rádio, grave e tingida por uma certa melancolia, que assinala os começo e final de Avanti Popolo. Deparamo-nos com um objecto original e a possível versão uruguaia-judaica-brasileira de Nanni Moretti sedado. Sacudam-lhe o pó que não se vão arrepender.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
# 165
Seria sempre um objecto que se encontra no extremo oposto de qualquer outro, pela natureza do que é e não por um qualquer desejo de auto-exclusão. Lacrau, de João Vladimiro, integra as competições nacional e internacional do IndieLisboa, e lembrei-me da forma como um amigo descrevia Holy Motors, de Leos Carax, como sendo um filme sobre o fim das coisas (do mundo). Há elementos visuais que aproximam Lacrau (enquanto nos mantemos no espaço urbano) do cinema de Carax, mas aqui o projecto parece ser o de viajar até ao princípio do mundo, que até tem geografia comum com o Oliveira desse título, que vem a acabar onde Lacrau quase começa: em Trás-os-Montes, referência que remete ainda para o cinema de António Reis, talvez o cineasta português de quem Vladimiro estará de facto mais próximo. Não descortinamos narrativa (ou é praticamente ininteligível). Tudo é poesia. Poesia que nasce da matéria (como nos textos de Francis Ponge ou nos filmes de Jean Daniel Pollet).
Nada mais existe para inventar na linguagem do cinema, mas Lacrau consegue manter-nos na ilusão contrária em vários momentos. Objecto de texturas, sempre texturas, sonoras e visuais. Moldado com luz e sombra. Moldado com sons e vozes e música e silêncios, que entram e saem como se fossem aparições. Em total paridade com as imagens. Há uma dimensão mística ou religiosa (ou ambas) no filme de João Vladimiro. Uma paz que é sensível se nos entregarmos à sua liberdade. Um novo fôlego ou pelo menos um segundo primeiro sopro. Para aceitar e só depois interpretar.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
# 163
Não existirão outros filmes como Simon Killer nesta edição do IndieLisboa. Arriscaria dizer que é caso único. Alienação numa grande cidade (os desencontros de Paris), o abismo psicológico para onde se foge e de onde é difícil escapar, o sexo como despersonalização: algo que permite sermos um outro ou existirmos apenas enquanto corpo. Como se Taxi Driver tivessse sido escrito por Bret Easton Ellis, para Steve McQueen filmar. Mas um McQueen com menos de 30 anos, chamado Antonio Campos, e a idade também importa para perceber o universo e os resultados.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
# 158
"Jaime Ramos conhecia-a há anos, ela fora uma espécie de iluminação naquele edifício que aprendera a conhecer como a antecâmara de todas as despedidas, as que o deixavam melancólico e as que o deixavam na mesma, as que o deixavam desperto e as que lhe lembravam que havia um preço a pagar por quase nada e que muitas vezes achou preferível vender a alma se a alma fosse para ali chamada. Mas isso fora há muito tempo, quando a alma se podia dispensar temporária ou definitivamente. Agora, quase dobrados os sessenta, Jaime Ramos sabia que tinha esquecido muitas coisas, que tinha perdido muito de si, e que - no fim de contas - não tinha gozado suficientemente a vida."
sexta-feira, 5 de abril de 2013
# 155
A expressão pertence a Dave Grohl, pessoa que teve a ideia e tornou possível a realização deste filme, assim dito num sentido mais subjectivo, e documentário, que é do que objectivamente se trata, sobre os estúdios Sound City, na Califórnia, que se mantiveram activos durante cerca de quatro décadas (1970-2011), e onde se produziram registos memoráveis do rock americano desse longo período.
Sound City é filmado em cerca de três-quartos como se de uma história de amor se tratasse, objectificada na mesa de gravação de marca Neve que viria a ser comprada por Dave Grohl, e que é hoje parte do estúdio privado do músico dos Foo Fighters, onde aliás o CD Real to Reel, complementar à existência do filme, foi produzido e cujas gravações ocuparão a restante quarta parte do DVD, mostrando a participação de convidados como Stevie Nicks, Trent Reznor, Josh Homme, e Paul McCartney, que à excepção do Beatle ajudaram a construir o legado musical dos estúdios Sound City.
Existe o amor à música, e a um som particular que se obtinha em Sound City, doce, analógico e humanizado, e depois o amor enquanto experiência que vive da interacção do factor humano. Mais do que qualquer equipamento, do que a opção posta em prática de gravar os discos com a banda a tocar ao vivo e em simultâneo, a experiência proporcionada pelos Sound City está ligada às pessoas que lá trabalhavam ou que lá gravavam: grupos como os Fleetwood Mac, Rick Springfield (que nas fotografias da época está quase sempre na companhia do cão Ronnie), Frank Black and the Catholics, Neil Young, Nirvana, ou os Queens of the Stone Age, entre dezenas de outros.
Existe o amor à música, e a um som particular que se obtinha em Sound City, doce, analógico e humanizado, e depois o amor enquanto experiência que vive da interacção do factor humano. Mais do que qualquer equipamento, do que a opção posta em prática de gravar os discos com a banda a tocar ao vivo e em simultâneo, a experiência proporcionada pelos Sound City está ligada às pessoas que lá trabalhavam ou que lá gravavam: grupos como os Fleetwood Mac, Rick Springfield (que nas fotografias da época está quase sempre na companhia do cão Ronnie), Frank Black and the Catholics, Neil Young, Nirvana, ou os Queens of the Stone Age, entre dezenas de outros.
Os Sound City, que vivenciaram, externamente, a mudança de paradigma do analógica para o digital, do vinil para o CD, e das grandes mesas de gravação para o Pro-Tools, foram sempre um lugar onde se privilegiou a música enquanto experiência colectiva, e se alguma coisa permite relativar o aspecto algo desajustado e claramente comercial do tempo que o filme de Dave Grohl gasta com o processo de gravação do CD Real to Reel (que aparenta ser média espingarda, não mais que isso), é que o mesmo visa também assinalar uma espécie de terceira vida (trasladada) dos Sound City: a segunda vida terá sido marcada no início dos anos 90 com o sucesso global de Nevermind, quando os estúdios corriam sérios riscos de encerrar. Figurada no estúdio 606 de Dave Grohl, onde pontifica a mesma mesa de gravação Neve, a que ele promete continuar a dar muito trabalho, é a defesa de um modo de produzir música que está em causa, muito pouco usual nos tempos actuais.
A nostalgia de um objecto como este Sound City aponta ao passado e ao futuro, como qualquer história de amor digna desse sentimento.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
# 152
"Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."
# 151
Para escrever um parley deste nível é preciso escutar o mundo até nos tornarmos na sua cópia fiel.
# 150
Os filhos de Dave Grohl, que têm 3 e 6 anos de idade, não lhe pedem para escutar Justin Bieber porque o pai cedo os pôs a ouvir a música que o próprio conheceu com a idade deles. Assim a preferência vai para os Beatles no geral, e o mais velho já sabe pousar a agulha no prato. Este aspecto da entrevista com Grohl que a Blitz acaba de publicar, fez-me lembrar conversa recente com um amigo que foi pai recentemente e que adormece a criança com Johnny Cash ou lullabies de várias partes do mundo: de África principalmente. É uma forma de olhar para as coisas. Quando se gosta muito de música é irresistível não ceder às modas que invadem por todos os lados e dar a conhecer aos nossos filhos música boa. Para felicidade deles: presente e futura.
terça-feira, 2 de abril de 2013
# 149
Muitas vezes ouvimos dizer que os jogos se decidem por pormenores. É preciso acrescentar que alguns acabam definidos pelos impossíveis. Impossível não é aquilo que não acontece, mas o que não se repete.
# 148
Foi na época de 2004/ 2005 que um jogador do Sporting fizera, pela penúltima vez, três golos em Braga. Grande noite para Mauricio Pinilla, principalmente. Partiu depois e não deixou saudades. O mesmo não poderá ser dito de Ricky van Wolfswinkel, cuja saída para o Norwich mal termine o campeonato, e em cima do desempenho de ontem, que só a trave que se lhe atravessou no caminho impediu que superasse a prestação do chileno Pinilla, já pôs os sportinguistas a pensar se não se poderia abortar o negócio com os ingleses. No way.
O Sporting nunca esteve a perder, mas pode-se falar em remontada uma vez que a equipa sofria a pressão enorme dos bracarenses, que jogavam em superioridade numérica. Ou isso pensavam eles. E nós também. Havia um elemento no banco, delegado ao jogo, um presidente no papel de adepto (não deixando de ser o presidente), que baralhou as contas e ajudou a tornar possível a vitória altamente improvável. Ninguém pareceu incomodado com a presença de Bruno de Carvalho que, tal como Wolfswinkel, cumpriu um sonho que a noite não teve condições de lhe tirar. E viva o novo velho Sporting Clube de Portugal.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
# 144

A escolha de um título como O Pai das Minhas Filhas (2009) é todo um programa de cinema que o filme de Mia Hansen-Love confirmará na segunda metade. Quando a personagem do produtor Grégoire Canvel desaparece, apenas se extingue a figura do produtor, não o pai das crianças. A existência de Grégoire fundamentava-se, para o próprio, na existência dos filmes que produzia e que produzira. Para os que lhe eram próximos, sobretudo família e amigos, é a sua ausência que será sentida, e que no caso das três raparigas determinará uma nova relação com elas mesmas (mais sensível na filha mais velha, Clémence) e com a memória do pai. Os filmes serão objecto de um processo de liquidação e seguirão destinos diferentes e desconhecidos à razão dos vários credores. A frieza deste processo, por oposição às subtis repercussões emocionais que o desaparecimento de Grégoire irá provocar, diz-nos que o cinema de Mia Hansen-Love se coloca do lado da vida e que a importância dos filmes decorre de serem produto de vidas também. Mas que nunca poderão substituir-se a nenhuma delas.
# 143
Quando o filme de Gus Van Sant, que aqui oferece os seus bons préstimos de realizador versátil ao serviço de um projecto pessoal do amigo Matt Damon, se encaminha para o final, e o drama social se resolve com uma lógica de rapaz perde o emprego mas ganha a rapariga, vemos confirmadas as expectativas de um cinema liberal que procura olhar o nosso mundo pelo confronto entre os interesses económicos e a responsabilidade do indivíduo, mas que cede finalmente a um propósito redentor para conforto das mais vastas plateias.
O espírito de Frank Capra baixa sobre este Terra Prometida de Damon e Van Sant, que tem também o mérito de mostrar vários bons actores a fazerem figura de gente, só que o espectador adulto, se acredita nas composições, terá mais dificuldade em crer nas recomposições. Não é questão de cinefilia mas de consciência. Os limites do filme são os limites da nossa boa consciência, que ditam até onde o conseguimos acompanhar. Tudo aquilo em que conseguimos acreditar.
# 142
"Numa entrevista recente, na Austrália, colocava a questão de forma simples. O primeiro disco havia sido concebido por alguém que nunca antes tinha experienciado o amor. O segundo é o álbum de quem vive essa experiência. Na estreia havia uma voz vulnerável, melodias luminosas, uma estrutura de canção mais enunciada do que clarificada. Agora existe mais inteligibilidade."
sexta-feira, 29 de março de 2013
# 140
A importância da boa decisão escapou-me da primeira vez que vi Os Descendentes. É natural. Quase sempre procuramos nos filmes aquilo que ecoa na nossa história pessoal, e é também disso que trata esta realização de Alexander Payne. A boa decisão apresenta-se, pelo contrário, no que transcende o homem e a sua passagem pela vida. Decorre no entanto da dádiva da vida, algo que nos foi confiado e com o qual lidamos tantas vezes de forma egoísta. Isto conduz à reflexão de Matt (George Clooney) sobre os elementos da sua família, simbolizados por ilhas de um mesmo arquipélago, isoladas e progressivamente mais distantes umas das outras.
Só que as pessoas partem, como Elizabeth após o coma, e as ilhas, a terra permanece(m) para ser desfrutada por outros e por outras famílias. A construção de Os Descendentes vai das consequências do isolamento, à tomada de consciência que leva à boa decisão (a de Matt em não vender os terrenos que num passado remoto tinham ficado à responsabilidade da sua família), até á reconciliação aparente com as filhas no momento do luto.
O carácter banal da cena final, com os três (pai e filhas) na frente do televisor a comerem gelado, parece sugerir que o filme terminara sim com a boa decisão de Matt: a única que perdura além das gerações vivas em benefício de muitas gerações vindouras, e em respeito por quem veio antes. Os Descendentes faz-se com os elementos de muitos outros filmes dramáticos seus semelhantes, mas não devemos perder o sentido do real alcance. O do indivíduo que consegue ver mais para lá dos próprios dramas. É essa a nossa única decisão.
# 139
O disco, que é muito bom disco, é para aí do tempo em que a classificação de "americana" alimentava conversas entre maluquinhos da música e fazia capas de revistas. De Ryan Adams, não fosse a aparição nos derradeiros instantes do último Judd Apatow, também se perdera o rasto. Parece que a "americana" acabou confinada à geografia de baptismo. Mas isto continua a ser muito bom mesmo.
quarta-feira, 27 de março de 2013
# 138
O meu chapéu, porque não busco postura sensacionalista, para Lena Dunham e o risco que tomou nos últimos episódios da segunda temporada de Girls. O disturbio obsessivo-compulsivo da protagonista apanha-nos de surpresa e não é tratado com ligeireza. Dunham desafia-se enquanto criadora e actriz, e até ver o espanto é aquilo com que ficamos. Pelo menos desta vez não deixa a personagem sozinha, e a corrida de Adam em tronco nu pelas ruas de Brooklyn é coisa bonita de se ver. E o colo no final, Uau.
# 136
Ontem tive a excelente notícia de que o novo disco de June Tabor sairá pela ECM. Sairá não, saiu já, há cerca de duas semanas, sob a designação Quercus. A arte de Tabor e dos músicos que a acompanham ganhará mundo com a ECM que tem distribuição alargada a toda a Europa, Estados Unidos e Japão. Espero que seja este o ano ou o próximo em que June Tabor nos volte a visitar. Escutem aqui e agora a canção, exemplo entre dezenas, mas escutem sobretudo a introdução que Tabor faz da mesma. É sempre assim nos seus concertos. Um privilégio interpretativo e um privilégio... interpretativo. Long live June Tabor.
# 135
"A primeira vez que isso acontecera: 8 de abril de 2003. Um céu limpo e azul, o vento de uma primavera que tardava em atravessar as baías do mar galego. O homem parou o carro junto do muro, ao lado da árvore mais alta, diante daquela paisagem de Turner."
Jaime Ramos voltou.
# 133
Trata-se de imagem batida mas seguramente aquela que ocorre ao maior número de pessoas que assistam a uma actuação de Jon Hassell. Estamos perante um encantador de serpentes. Alguém que seduz com os elementos repetitivos e hipnóticos guardados nos computadores em ficheiros prontos a activar, e que deixa a plateia num estado entre o fascínio e o torpor, sendo que o hipotético adormecimento pode resultar da descontração que acompanha o expandir da percepção auditiva e da imaginação. Viaja-se muito dentro de nós num concerto de Jon Hassell. Até mesmo os ocasionais pregos digitais não distraem do principal. O fluxo sonoro comandado pelo inconfundível timbre do trompete filtrado pelas electrónicas, que responde tanto a imperativos musicais como biológicos. Como ouvi comentar é um sopro que dá vida. Foi uma vez mais o que aconteceu. Quiçá a celebração da música de Gil Evans que nos era proposta. Sem dúvida a celebração de Jon Hassell em muito serena resposta.
# 132
"Mas era precisamente o fraco quem devia saber ser forte e partir quando o forte se encontrava demasiado fraco para poder sequer ofender o fraco."
terça-feira, 26 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
# 126
Os Minta & the Brook Trout atiram-se esta sexta-feira, em Sta. Apolónia, à recriação de um dos discos mais amados de todos os tempos. Só Deus sabe o que vai sair dali.
# 125
Curiosa contaminação a que ocorre entre A Caça de Thomas Vinterberg e O Caçador (The Deer Hunter) de Michael Cimino. Os cenários naturais, a pequena comunidade, rituais que fortalecem relações, e a própria caça ao veado. A guerra e o inimigo é que são totalmente outros. O facto de sabermos sempre da inocência de Lucas leva a que sejam os restantes elementos adultos do filme objecto de escrutínio. Existe a culpa particular e generalizada que se manifesta como se pudesse ser apenas redimida pelo sacrifício de Lucas (impecável Mads Mikkelsen, de vulnerabilidade e força). Um incómodo que o filme de Vinterberg dá a sentir sem que seja alguma vez nomeado. Fantasmas pessoais acompanhados da tacanhez moral que os liberta a instintos de justiça cega. A funcionalidade do mundo prestes a ser posta em causa pela perturbação aumentada à desproporção.
Em tempos de paz exterior outras guerras existem prestes a eclodir. Inimigos mais difíceis de combater porque habitam dentro de nós. Por isso as duas caçadas que seguem em paralelo. Uma dirigida a Lucas pelas outras personagens, homens e mulheres. Outra dirigida a todos sem excepção pelo próprio filme, e a nós também. O desconforto existe mais pelo que não se vê nem fala e que passa directamente para a consciência do espectador. Daí a secura de A Caça e a sua eficácia.
# 124
"Contei-lhe uma história (é mais um mito, pois nem sei se é verdadeira) sobre um vendedor de sistemas telefónicos que desenvolvera um tipo muito particular de sentimento de rejeição. Sempre que era rejeitado por um potencial cliente, esse vendedor ficava encantado, pois isso aproximava-o mais um passo da sua próxima venda. Ele calculava que a sua taxa de sucesso era de uma em cinquenta chamadas telefónicas, por isso, ao contabilizar quarenta rejeições, começava a ficar entusiasmado, pois sabia que a venda estaria para chegar em breve. Isso dava-lhe mais confiança."
sexta-feira, 22 de março de 2013
# 123
Discos ouvem-se várias vezes. Menos hoje porque se passou a comprar canções (tunes) em vez de álbuns físicos, ou então temos demasiados discos para o tempo de que dispomos. Um filme revesse quando calha (cada vez menos no cinema) ou a pretexto de outro filme. Mas rever uma série televisiva é como reler um livro: quanto mais longa a série, tantas mais páginas o livro. São momentos raros e ocasiões que nos definem, e que definem o nosso entendimento das coisas.
quinta-feira, 21 de março de 2013
# 118
Não bastaria uma noite sem sono para sequer completar o novo disco de Nick Cave com os Bad Seeds, mas o produto final é uma noite de insónia. Os primeiros temas verdadeiros nocturnos, e a segunda metade com letras que parecem surgir do estado entre o sonho leve e a vigília sonolenta dado a desvarios. Finalmente a última canção, que dá nome ao disco, Push the Sky Away, e que no sentido imediato traduz a tentativa de "empurrar" a chegada do dia seguinte.
quarta-feira, 20 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
# 111
São finitos os caminhos do corpo. O corpo cansa-se e o corpo cansa-nos. Mas é também o corpo que fala quando não queremos ou não sabemos o que dizer. É como se existíssem dois filmes dentro do filme Ferrugem e Osso, de Jacques Audiard. O que trata dos corpos dos protagonistas - homem e mulher - nos seus excessos e limitações. Corpos que aprisionam por histórias passadas: a dele, homem em fuga, trazendo desta vez consigo o filho criança; a dela, cuja amputação em consequência de um acidente obriga ao regresso à vida. O segundo filme diz respeito à ficção, ao lado romanesco que aproximará as duas personagens. Parece-me que esta dimensão é empobrecedora da primeira, por vezes a raiar o implausível. Mesmo que nos socorramos da célebre frase de Blaise Pascal, trazida recentemente a público por um mister do futebol, de que o coração tem razões que a própria razão desconhece, faria mais sentido para mim que o crescimento emocional daquela mulher, Stéphanie (a universal Marion Cotillard), a fosse progressivamente afastando do cúmplice e amante sempre "opé", Alain (o flamengo Matthias Schoenaerts), do que aquilo que o filme vem a mostrar. Uma cedência do coração de Jacques Audiard, e uma limitação como as do corpo. Bom filme quand même.
quinta-feira, 14 de março de 2013
# 110
"... I came across an endearing fact about the Danish government. Its Ministry of Justice is to introduce a bill that «specifies that keepers of horses should have at least two horses ... to recommend that horses have social contact». Some veterinary research had showed that horses not only like to see each other, but to touch each other. Horses are herd animals, experiencing an inconsolable misery when alone that only another of their kind can assuage. They scratch each other in places hard to reach, and stand nose-to-tail in the summer in a symbiotic arrangement so that each tail flicks flies off the nose of the other."
quarta-feira, 13 de março de 2013
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