sexta-feira, 12 de abril de 2013

# 161



Transe

quinta-feira, 11 de abril de 2013

# 160






































Josh Homme, com bengala, fotografado por Andy Willsher.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

# 159












































Miguel Gomes fotografado, em Lisboa, por Steve Stoer.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

# 158















"Jaime Ramos conhecia-a há anos, ela fora uma espécie de iluminação naquele edifício que aprendera a conhecer como a antecâmara de todas as despedidas, as que o deixavam melancólico e as que o deixavam na mesma, as que o deixavam desperto e as que lhe lembravam que havia um preço a pagar por quase nada e que muitas vezes achou preferível vender a alma se a alma fosse para ali chamada. Mas isso fora há muito tempo, quando a alma se podia dispensar temporária ou definitivamente. Agora, quase dobrados os sessenta, Jaime Ramos sabia que tinha esquecido muitas coisas, que tinha perdido muito de si, e que - no fim de contas - não tinha gozado suficientemente a vida."

sexta-feira, 5 de abril de 2013

# 157

# 156

# 155



















"it's like true love"

A expressão pertence a Dave Grohl, pessoa que teve a ideia e tornou possível a realização deste filme, assim dito num sentido mais subjectivo, e documentário, que é do que objectivamente se trata, sobre os estúdios Sound City, na Califórnia, que se mantiveram activos durante cerca de quatro décadas (1970-2011), e onde se produziram registos memoráveis do rock americano desse longo período.
Sound City é filmado em cerca de três-quartos como se de uma história de amor se tratasse, objectificada na mesa de gravação de marca Neve que viria a ser comprada por Dave Grohl, e que é hoje parte do estúdio privado do músico dos Foo Fighters, onde aliás o CD Real to Reel, complementar à existência do filme, foi produzido e cujas gravações ocuparão a restante quarta parte do DVD, mostrando a participação de convidados como Stevie Nicks, Trent Reznor, Josh Homme, e Paul McCartney, que à excepção do Beatle ajudaram a construir o legado musical dos estúdios Sound City.
Existe o amor à música, e a um som particular que se obtinha em Sound City, doce, analógico e humanizado, e depois o amor enquanto experiência que vive da interacção do factor humano. Mais do que qualquer equipamento, do que a opção posta em prática de gravar os discos com a banda a tocar ao vivo e em simultâneo, a experiência proporcionada pelos Sound City está ligada às pessoas que lá trabalhavam ou que lá gravavam: grupos como os Fleetwood Mac, Rick Springfield (que nas fotografias da época está quase sempre na companhia do cão Ronnie), Frank Black and the Catholics, Neil Young, Nirvana, ou os Queens of the Stone Age, entre dezenas de outros.


















Os Sound City, que vivenciaram, externamente, a mudança de paradigma do analógica para o digital, do vinil para o CD, e das grandes mesas de gravação para o Pro-Tools, foram sempre um lugar onde se privilegiou a música enquanto experiência colectiva, e se alguma coisa permite relativar o aspecto algo desajustado e claramente comercial do tempo que o filme de Dave Grohl gasta com o processo de gravação do CD Real to Reel (que aparenta ser média espingarda, não mais que isso), é que o mesmo visa também assinalar uma espécie de terceira vida (trasladada) dos Sound City: a segunda vida terá sido marcada no início dos anos 90 com o sucesso global de Nevermind, quando os estúdios corriam sérios riscos de encerrar. Figurada no estúdio 606 de Dave Grohl, onde pontifica a mesma mesa de gravação Neve, a que ele promete continuar a dar muito trabalho, é a defesa de um modo de produzir música que está em causa, muito pouco usual nos tempos actuais. 
A nostalgia de um objecto como este Sound City aponta ao passado e ao futuro, como qualquer história de amor digna desse sentimento.     

quinta-feira, 4 de abril de 2013

# 154


Uns dias são de brincar, outros são do brinquedo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

# 153




Cenas da vida profissional, social, e conjugal. Que se foda o Ingmar.

# 152

"Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."

# 151




Para escrever um parley deste nível é preciso escutar o mundo até nos tornarmos na sua cópia fiel.

# 150




















Os filhos de Dave Grohl, que têm 3 e 6 anos de idade, não lhe pedem para escutar Justin Bieber porque o pai cedo os pôs a ouvir a música que o próprio conheceu com a idade deles. Assim a preferência vai para os Beatles no geral, e o mais velho já sabe pousar a agulha no prato. Este aspecto da entrevista com Grohl que a Blitz acaba de publicar, fez-me lembrar conversa recente com um amigo que foi pai recentemente e que adormece a criança com Johnny Cash ou lullabies de várias partes do mundo: de África principalmente. É uma forma de olhar para as coisas. Quando se gosta muito de música é irresistível não ceder às modas que invadem por todos os lados e dar a conhecer aos nossos filhos música boa. Para felicidade deles: presente e futura.  

terça-feira, 2 de abril de 2013

# 149























Muitas vezes ouvimos dizer que os jogos se decidem por pormenores. É preciso acrescentar que alguns acabam definidos pelos impossíveis. Impossível não é aquilo que não acontece, mas o que não se repete.

# 148
























Foi na época de 2004/ 2005 que um jogador do Sporting fizera, pela penúltima vez, três golos em Braga. Grande noite para Mauricio Pinilla, principalmente. Partiu depois e não deixou saudades. O mesmo não poderá ser dito de Ricky van Wolfswinkel, cuja saída para o Norwich mal termine o campeonato, e em cima do desempenho de ontem, que só a trave que se lhe atravessou no caminho impediu que superasse a prestação do chileno Pinilla, já pôs os sportinguistas a pensar se não se poderia abortar o negócio com os ingleses. No way.
O Sporting nunca esteve a perder, mas pode-se falar em remontada uma vez que a equipa sofria a pressão enorme dos bracarenses, que jogavam em superioridade numérica. Ou isso pensavam eles. E nós também. Havia um elemento no banco, delegado ao jogo, um presidente no papel de adepto (não deixando de ser o presidente), que baralhou as contas e ajudou a tornar possível a vitória altamente improvável. Ninguém pareceu incomodado com a presença de Bruno de Carvalho que, tal como Wolfswinkel, cumpriu um sonho que a noite não teve condições de lhe tirar. E viva o novo velho Sporting Clube de Portugal.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

# 147

# 146

# 145

























Reencontro com o Terry Callier de muitos anos atrás. De alma e coração.

# 144




















A escolha de um título como O Pai das Minhas Filhas (2009) é todo um programa de cinema que o filme de Mia Hansen-Love confirmará na segunda metade. Quando a personagem do produtor Grégoire Canvel desaparece, apenas se extingue a figura do produtor, não o pai das crianças. A existência de Grégoire fundamentava-se, para o próprio, na existência dos filmes que produzia e que produzira. Para os que lhe eram próximos, sobretudo família e amigos, é a sua ausência que será sentida, e que no caso das três raparigas determinará uma nova relação com elas mesmas (mais sensível na filha mais velha, Clémence) e com a memória do pai. Os filmes serão objecto de um processo de liquidação e seguirão destinos diferentes e desconhecidos à razão dos vários credores. A frieza deste processo, por oposição às subtis repercussões emocionais que o desaparecimento de Grégoire irá provocar, diz-nos que o cinema de Mia Hansen-Love se coloca do lado da vida e que a importância dos filmes decorre de serem produto de vidas também. Mas que nunca poderão substituir-se a nenhuma delas.

# 143



















Quando o filme de Gus Van Sant, que aqui oferece os seus bons préstimos de realizador versátil ao serviço de um projecto pessoal do amigo Matt Damon, se encaminha para o final, e o drama social se resolve com uma lógica de rapaz perde o emprego mas ganha a rapariga, vemos confirmadas as expectativas de um cinema liberal que procura olhar o nosso mundo pelo confronto entre os interesses económicos e a responsabilidade do indivíduo, mas que cede finalmente a um propósito redentor para conforto das mais vastas plateias.
O espírito de Frank Capra baixa sobre este Terra Prometida de Damon e Van Sant, que tem também o mérito de mostrar vários bons actores a fazerem figura de gente, só que o espectador adulto, se acredita nas composições, terá mais dificuldade em crer nas recomposições. Não é questão de cinefilia mas de consciência. Os limites do filme são os limites da nossa boa consciência, que ditam até onde o conseguimos acompanhar. Tudo aquilo em que conseguimos acreditar.

# 142

"Numa entrevista recente, na Austrália, colocava a questão de forma simples. O primeiro disco havia sido concebido por alguém que nunca antes tinha experienciado o amor. O segundo é o álbum de quem vive essa experiência. Na estreia havia uma voz vulnerável, melodias luminosas, uma estrutura de canção mais enunciada do que clarificada. Agora existe mais inteligibilidade."

Arquivo do blogue