segunda-feira, 11 de março de 2013
# 101
"We chat and we have 'buddies' to chat with. Buddies, as every chat addict knows, come and go, switch in and out - but there are always a few of them on the line itching to drown silence in 'messages'. In the 'buddy-buddy' sort of relationship, not messages as such, but the coming and going of messages, the circulation of messages, are the message - don't mind the content. We belong - to the even flow of words and unfinished sentences (abbreviated, to be sure, truncated to speed up the circulation). We belong to talking, not to what is talked about."
# 100
Há neste filme uma criança que não gosta de dormir porque tem medo do que possa vir a sonhar. Mas Side Effects/ Efeitos Secundários, de Steven Soderbergh, não é sobre esta criança que é inocente em relação aos seus temores. É sobre todos nós, adultos, a nossa culpa e responsabilidades na fuga à realidade que preferimos deturpada pelos estímulos à tipologia de consumo que corresponde a um sonho desperto. Os antidepressivos entram aqui e estão cada vez mais disseminados porque nos agarramos a expectativas e a estatutos, e quando os acontecimentos escapam ao controlo e fracassamos, a depressão logo se instala. Isto está no filme de Soderbergh, problematizado como se um excesso de presente nos roubasse a perspectiva de futuro. É o comentário social e político sobre o mundo contemporâneo tão do desagrado de Steven Soderbergh, que aqui felizmente não se limita à denúncia por via do exercício de estilo de sobrolho levantado e apresenta uma intriga criminal, actualizando elementos do film noir, que fixa o interesse, doseando bem as sucessivas revelações e de modo a que o comentário político esteja subjacente em todo o processo. O Soderbergh engajado de quase sempre mas que desta vez tem uma história para contar e um vilão que podia ser o nosso vizinho do lado. Efeitos secundários entendem-se no filme pelas consequências dos nossos actos e a bula nunca está completa.
# 99
A segunda vida de Paul Simon marca praticamente o início da minha. O que marca a minha segunda vida não tem resposta prática.
sexta-feira, 8 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
# 94
Vamos pensar que o homem olha para a imagem e repara primeiro na beleza da mulher. Que uma mulher vê a mesma fotografia e nota a princípio a força do homem. Consideremos tratarem-se dos apelos mais comuns para ambos os sexos, sem desmerecer da beleza dele ou de outros traços que a personagem feminina possa ter mas que não conhecemos ainda. A imagem dirige-se a uma concepção do mundo arquetípica (homem-forte, mulher-bela), em cima da qual se erguem ficções. O modelo é aquilo que permanece e o que diz mais de cada um de nós. É por ali que existimos nos filmes que nos interessam. Que antecipamos filmes que nos podem interessar. Objectos que pela universalidade enraizada nos justificam. Por acaso reparo primeiro na força do homem, porque a minha preocupação fundamental é com a mulher que olha para a imagem e menos com a actriz que nunca poderá verdadeiramente substituí-la.
quarta-feira, 6 de março de 2013
# 91
A aquisição em exclusivo, por parte da Benfica TV, dos direitos de transmissão dos jogos da Premier League nas próximas três temporadas criou um sarilho a que os milhões de adeptos benfiquistas não estão imunes, mas que aos restantes milhares fará mossa ainda maior. A Zon já me informou ao telefone que o canal passará a constar da sua lista de opções e será pago. E a Sport Tv tendo perdido tão precioso trunfo estará disposta a reduzir a mensalidade? E que interesse terá para um não-benfiquista (ainda somos uma imensa minoria) a Benfica TV à parte dos jogos do campeonato inglês? Prevejo muita confusão e desmobilizações contrariadas para o canal encarnado. Como resolverão eles, numa única posição, a simultaneidade das partidas? E os comentadores dos jogos ingleses que trabalham para a Sport TV; arranjará a Benfica TV profissionais de calibre semelhante? As leis do mercado produzem por vezes efeitos aberrantes. O direito de escolha é aqui merdosa ilusão. Se a Benfica TV criasse um sub-canal para o futebol inglês, de assinatura autónoma, tudo se arranjava (e com diferidos, tal como no canal que a Sport TV dedica em exclusivo e em inglês à melhor liga), mas eles não estão para isso tenho a certeza.
# 90
"Há gente de todas as classes. Há slogans e alguma música, mas a esmagadora maioria da manifestação é uma manifestação silenciosa, que não adere a gritos nem a palmas. Muitos vieram sozinhos e é difícil gritar sozinho. Não vieram no grupo do sindicato, nem da empresa, nem sequer com amigos. Vieram, porque acharam que não podiam deixar de vir."
terça-feira, 5 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
# 85
Sobre O Grande Medo do Pequeno Mundo disse Pedro Mexia o que a maior parte de nós não seria capaz de dizer. O texto é muito bom (pode ser lido no facebook de Samuel Úria a dia 24 de Fevereiro) e inibe de acrescentar mais alguma coisa. Acrescentarei breves linhas. Na voz de Samuel Úria o que ele canta e o modo como explora as suas limitações vocais, acentuando-as, um pouco como Bob Dylan também fazia e faz, quase a roçar a caricatura do que entendemos por vozes (Johnny Cash e Frank Sinatra tinham grandes vozes), é o mais importante. Este é um disco cheio de carácter, com uma produção que se preocupa em dar a escutar os instrumentos e as palavras, que promove a escuta íntima e atenta. Um disco que fala dos medos universais, como o amor a morte e a insignificância, enunciados com termos que cairam e desuso, e explorando paradoxos e jogos de linguagem que trocam a toada sofrida pela discreta celebração. O Grande Medo do Pequeno Mundo não dá parte fraca e não tem partes fracas.
sexta-feira, 1 de março de 2013
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